Resumo Geral das aulas – Didática da Prática Instrumental – Flauta

Durante as aulas de flauta fizemos várias atividades musicais, as quais podem tornar a aula de música muito mais completa, interessante, prazerosa e proveitosa. A seguir um breve resumo das atividades:

1) Pesquisa Sonora: utilizando a flauta e suas partes,  folha de papel,  o corpo,  copos de plástico e  hashis. As propostas de pesquisa sonora ajudam a desenvolver a percepção auditiva (que é importante para o fazer musical propriamente dito), a percepção de sons à nossa volta (tornamo-nos mais atentos e mais críticos), a imaginação, a criatividade e a auto-confiança, uma vez que a pesquisa carrega em si um caráter de liberdade, livre de possíveis julgamentos.

2) Brincadeiras cantadas: Desenvolvem aspetos musicais como ritmo, pulso, formas musicais, o próprio canto (ao entoar as notas da melodia de maneira afinada) e aspectos humanos, como o “estar junto”, o pertencer a um grupo, a diversidade (somos todos diferentes mas podemos conviver de maneira positiva) e ao mesmo tempo a igualdade (somos todos iguais na roda). Além de tudo isso ajudam a preservar a tradição de cantos de nossa terra (ou de outras) e fazem bem para a “alma”, pois é impossível não se divertir.

3) Jogos de Improvisação: com o corpo, com a flauta e suas partes, com copos de plásticos, com hashis, com folha de papel. Os jogos de improvisação são importantíssimos para a formação musical, pois ajudam o educando a se expressar livremente utilizando elementos da linguagem musical, desenvolvendo sua percepção, sua sensibilidade, sua expressividade, e sua musicalidade como um todo, além de sua auto-confiança, seu senso crítico e estético. Outro fator importante é que a prática da improvisação desenvolve “um abrir de mentes”, para o novo, para o diferente, para o inusitado, para o não-convencional. As propostas de improvisação podem proporcionar ao educando o desenvolvimento tanto de habilidades humanas quanto musicais, cabe ao professor identificar qual objetivo quer atingir e propor uma atividade que valorize mais este ou aquele aspecto. Os jogos de improvisação servem também como possibilidade para o professor diagnosticar como os alunos estão assimiliando e interiorizando suas vivências musicais, já que improvisar não é fazer qualquer coisa, ao contrário, quem mais sabe é quem melhor improvisa. É importante que a improvisação seja natural e esteja no cotidiano das aulas, uma vez que é possível improvisar em qualquer nível do aprendizado.

4) Sonorização de estórias: com copos de plástico e com partes da flauta. A sonorização é também um jogo de improvisação, porém o que se busca é na maioria das vezes uma associação do som ao personagem ou objeto da estória. Sonorizar ajuda o educando a desenvolver a imaginação, a criatividade, a pesquisa de sons novos,  a percepção dos detalhes, a valorização de ruídos,  as características dos sons (rápidos, fortes, opacos, brilhantes, etc), o senso estético, a valorização do silêncio, entre outros. E também os aspectos humanos, pois sonorizando (principalmente em grupo), desenvolve-se o senso de cooperação, de respeito ao tempo do outro, senso de grupo, etc.

5) Parlendas: utilizando copos de plástico, corpo e hashis. As parlendas ajudam a desenvolver ritmo, pulso, oralidade (para os pequenos) e conhecimento da tradição. Criar ritmos para executar enquanto se declama a parlenda é muito interessante, pois complementa e enriquece a atividade. Para a criação do ritmo o educando irá utilizar seus conhecimentos musicais interiorizados: dinâmicas, contrastes, formas, timbres, sons não convencionais, etc. O interesse é tratar-se de um fazer musical “ativo”.

6) Notação não convencional: Desenhar ou codificar sons é uma tomada de consciência desses sons, pois para poder desenhá-los, é necessário que se tenha uma clara sensação ou percepção deles. Para isso  é premissa que a escuta tenha sido bem feita. Dessa forma, a notação valoriza o processo de escuta, tão importante para o desenvolvimento musical. A atividade de apreciação musical também pode ser valorizada através da notação não convencional, que vai se sofisticando à medica que o educando amadurece cognitivamente e musicalmente falando. Outra maneira interessante de se utilizar a notação não convencional é partir da criação aleatória de um gráfico ou de um desenho com linhas e pontos por exemplo, ou seja, não ligada a um som já ouvido – e pedir para os educantos cantarem ou tocarem.

7) Técnicas de Flauta: como soprar, segurar, digitar, articular. Obviamente para aprender qualquer instrumento musical é necessário o aprendizado de suas particularidades, a fim de que mesmo na fase inicial se consiga a melhor sonoridade possível. Aprender da maneira correta desde o início é sem dúvida o melhor caminho. É muito mais difícil corrigir por exemplo uma postura errada ao segurar a flauta do que já começar da maneira correta.

8) Canto: O canto carrega em si a melodia e a poesia. Dessa maneira, cantar desenvolve a oralidade (para os pequenos), expressividade e a musicalidade como um todo. Ajuda também a desenvolver o conhecimento de elementos próprios da linguagem musical: ritmo, pulso, dinâmicas, fraseado, partes, etc., além de poder desenvolver a criatividade, ao se criar gestos por exemplo. O canto coletivo também desenvolve habilidades humanas: respeito ao grupo, o pertencer a um grupo, a escuta do grupo, concentração, atenção, cooperação. Cantar uma melodia que se vai tocar também ajuda muito na execução do instrumento. É  mais fácil aprender a tocar uma melodia que se sabe cantar.

Eu já venho trabalhando nessa linha, ou seja, com aula diversificada e a intensa participação ativa dos alunos. Já fiz vários cursos nos quais pude aprender muitas coisas interessantes e já li (e sempre leio) muitos livros ou artigos sobre educação musical. Sou uma seguidora dos métodos ativos de educação musical.  Por isso me identifiquei com as propostas da Claudia, que não foram propriamente “novas”, mas me ajudaram a reviver, resgatar ou a aprofundar o porquê de algumas atividades.  Eu acredito que a aula de educação musical deve proporcionar ao educando esse conjunto de atividades em que o fazer musical (ouvir, cantar, tocar, transformar sons em gestos, criar, improvisar, etc) ajude-o a conhecer elementos próprios da linguagem musical (ritmos, melodias, timbres, estilos, formas, texturas, tradições, etc) e ao mesmo tempo, ajude-o a desenvolver habilidades humanas válidas para a vida. Nesse contexto, a aula de música torna-se espaço para o exercício criativo de situações musicais em que habilidades musicais e humanas são vivenciadas e desenvolvidas.  Cabe ao educador buscar sempre se atualizar, pesquisar novas possibilidades e sobretudo  amar o que faz,  já que preparar uma “boa aula de música”, dá trabalho,  mas VALE A PENA!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: