Resumo texto “A flauta doce no ensino de música nas escolas: análise e reflexões sobre uma experiência em construção” da revista “Em Pauta, Porto Alegre, v.12/13”

O texto relata como a flauta doce tem sido utilizada em trabalhos de Educação Musical no Brasil, e que na maioria dos casos são utilizados métodos e repertório com dificuldades técnicas progressivas. Segundo o texto, percebe-se que o ensino da flauta doce está focado no ensino coletivo do instrumento, que não há procura para o aprendizado individual. O texto relata a pesquisa que pretendeu investigar a possibilidade do ensino da flauta doce incluído no currículo de Educação musical da rede escolar, analisando possíveis técnicas e procedimentos a serem adotados. Tal projeto está associado à pesquisa “Um estudo longitudinal aplicando a Teoria Espiral de Desenvolvimento Musical de Swanwick com crianças brasileiras da faixa etária de 6 a 10 anos de idade”.  Para  pesquisa foi utilizada uma escola particular de Porto Alegre, a partir da 3ª série, onde se incluiu o ensino da flauta doce. A metodologia selecionada para investigar a possibilidade do ensino da flauta doce incluído no currículo escolar de Educação Musical foi a pesquisação, cuja ação é centrada no próprio professor, que desempenha os papéis de professor / pesquisador. Na proposta o ensino da flauta doce estavam incluídas atividades de execução, integradas às experiências de composição e apreciação musical. Foi utilizada também o recurso da imitação e da leitura de partitura para o aprendizado de uma peça nova. As partituras utilizadas foram as convencionais e as não-convencionais. Houve problemas com a sonoridade, devido às dificuldades de muitos alunos para tapar bem os orifícios da flauta e controlar o sopro. Houve também certa resistência por parte dos alunos em relação à escrita musical. Para os alunos foi mais significativo o “tocar” o instrumento do que o ato de escrever. Durante a pesquisa também houve um cuidado em relação à escolha de repertório. Após a finalização da pesquisa concluiu-se que é viável, nas condições em que o trabalho foi realizado, a inclusão do ensino da flauta doce na proposta curricular. Tal proposta foi diferenciada pelo deslocamento da ênfase no ensino do instrumento para a ênfase no ensino de música, incluindo diversas formas de interação com a mesma, através de atividades de composição, execução e apreciação musical.  O importante é que a prática da educação musical nas escolas parta  de situações e condições reais de ensino,  através da utilização de metodologias alternativas e da constante busca da intersecção entre a teoria e a prática.

Minhas opiniões: Certa vez alguém me disse uma frase que me lembro sempre: “ninguém gosta do que não conhece”. As crianças (e acho que até os adultos!) têm a tentação de serem resistentes ao novo, ao que não conhecem e em um primeiro impulso dizem “eu não gosto”. Baseada em minha experiência como educadora musical posso dizer que meus alunos vêm aprendendo como a conhecer e a apreciar o novo para eles. Eu sempre levo músicas totalmente diferentes das que eles conhecem ou estão acostumados. Levo também músicas tradicionais. As coisas acontecem de maneira natural. O que procuro sempre é propor de maneira interessante, com algo que conecte-se com a vida e a realidade deles. Tem dado certo. Mesmo com a flauta, já trabalhei com várias faixas etárias e também obtive sucesso. Certa vez em uma entrevista para a vaga de uma escola a diretora me disse que as mães contavam que seus filhos não queriam ir à escola no dia da aula de música, por isso ela resolvera trocar de professor. Passado um tempo que eu estava lá, ela me contou que as mães estavam super contentes com ” a nova professora de música, que seus filhos estavam adorando”. Logicamente que não perfeita, nem tão pouco insubstituível.  Mas o que fez com que meus alunos estivessem tão felizes? eu levava para eles músicas antigas, músicas eruditas, músicas de outros povos, cantávamos, tocávamos flauta doce, fazíamos jogos e brincadeiras musicais, enfim, uma série de possbilidades. O que quero dizer com tudo isso é que em minha opinião é o profissional – o educdor musical –  que faz a aula, não o conteúdo em si. Não acredito que adiantaria implantar o ensino da flauta doce no currículo, por exemplo. Como em nossa área as coisas são “soltas”,  cada professor “faz o que quer” na aula de música e a maioria das diretoras das escolas não têm a mínima idéia do que seria uma aula de música “interessante”, a coisa meio que fica por isso mesmo: na sorte dos alunos de terem um professor consciente da necessidade de buscar possibilidades, de buscar material, de buscar repertório, enfim… um professor que se esforce para que seus alunos tenham, a cada aula,  um encontro significativo com a música.

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