Relato da Aula 09 – Metodologias 1ª Geração

Atividades: Nesta aula verificamos um pouco dos princípios que norteiam a prática Willems.

Comentários: Estou ansiosa por fazer algo prático sobre Willems. Já li bastante a respeito mas alguns pontos ainda são nebulosos para mim. Espero que fazendo alguns exercícios práticos as coisas fiquem mais claras. Pelas leituras e discussões já realizadas, percebe-se que a prática Willems é norteada por princípios cartesianos e com estágios de ensino bem estanques. Ele idealizou uma proposta bem estruturada, porém em minha opinião não é adequada em sua totalidade para a realidade brasileira.  Outro ponto que discordo também de suas crenças é a de que a harmonia é algo só intelectual. É verdade que para se “entender” harmonia precisa-se de um trabalho mental, de raciocínio, porém também é verdade que uma peça bem harmonizada mexe com nossos sentidos e passa pelo afeto. Da mesma maneira o ritmo. Quem já teve a oportunidade de “ver” de perto um ensaio da bateria de escola de samba sabe que é algo tão contagiante, tão penetrante, que não pode ser só algo físico. Willems também foi um educador essencialmente tonal (ele acredita que a música natural é a música tonal) e não gostava de elementos extramusicais: nada de desenhos, figuras, cores, imagens, etc. Dividia sua aula em quatro partes (baseadas nos pilares de seu planejamento). A essencia de sua proposta vem de encontro aos princípios dos outros educadores musicais da época: ouvir, reproduzir, falar (tocar), ler e escrever. Sobre a questão da tonalidade penso ser razoável a explicação de Enrico Fubini, em seu livro “Estética da Música”.  Ele afirma que “A idéia que a percepção da música tem o seu fundamento na natureza do homem e de que as regras que presidem à composição musical são, ao invés, em boa parte fruto da cultura e, portanto, da história, apresentou-se mais do que uma vez ao pensamento musical, com efeito, encontramos também a idéia oposta, ou seja, a de que a percepção e a compreensão da música são fruto essencialmente do hábito e que, por conseguinte, a audição é completamente interpretável no seu processo histórico, em íntima relação com a aculturação do homem, ao passo que a estrutura da música é efetivamente um elemento eterno, congênito com a própria natureza da música e, portanto, não alterável nos seus fundamentos.” (p.55).  É importante lembrarmos que o próprio tonalismo ou o atonalismo foram resultados de um processo.  O fato de se acostumar a algo não quer dizer que se tornou natural. Aliás, penso que se é preciso se acostumar, não é natural, mas cultural. Cada vez mais o universo de sons vem se ampliando e à medida que me habituo a ouvir mais sonoridades distintas, dissonantes, ouvindo harmônicos mais distantes encaro esses sons como “naturais” no sentido de não me incomodar, de não me chocar, porém  eles não são por isso naturais à minha essência humana, mas houve um processo cultural pelo qual eu me submeti. Acredito que afirmar que a música tenha elementos naturais é uma forma de se recusar as mudanças do século 20 e uma maneira de ser conservador. Enrico Fubini afirma ainda na página 56: “Schonberg, um dos máximos responsáveis pelas revoluções linguísticas do século passado, tinha consciência de que as linguagens musicais estão em constante mutação e de que o ouvido pode e deve habituar-se às novas sonoridades. Com efeito, ele afirmava: “Mas o destino adquirido com propriedade é que elas acabam por se desgastar. Não terá talvez sucedido o mesmo com a tonalidade em relação aos modos gregorianos? Hoje costuma-se dizer que os modos gregorianos não eram naturais e que os modos modernos coincidem com as leis da natureza, mas em tempos, também se dizia que os modos gregorianos coincidiam com as leis naturais. E, no fundo, até que ponto é que nossas escalas maiores e menores coincidem com as leis naturais, visto que constituem um sistema temperado?” Isso tudo sem falar em povos de culturas não ocidentais, com linguagens tão diferentes da nossa linguagem tonal.

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