Relato da Aula 08 – Metodologia 2ª Geração

Atividades: Nesta aula fizemos uma atividade prática baseada nas idéias do Professor Schafer – uma pesquisa do ambiente sonoro, passeando pelos corredores e páteo da faculdade.

Comentários: Foi-nos proposto que em silêncio andássemos até o páteo da faculdade e anotássemos todos os sons ouvidos. Essa experiência durou cerca de 10 minutos. Do caminho até nosso destino ouvimos passos, pianos, vozes, assobios, tosse, alarme de carro, porta de carro, risadas, motor de carro velho, água, instrumentos de sopro, carros, ônibus, helicópetero, máquina da fonte, catraca abrindo, tilintar de panelas, televisão, telefone, entre outros sons.  Ao voltar conversamos sobre os sons percebidos e fizemos uma classificação entre sons “naturais”, “humanos” ou “tecnológicos”. Nessa discussão surgiu um impasse: algumas pessoas entenderam que alguns sons tecnológicos são também sons humanos, como o piano por exemplo. Outras pessoas entenderam que sons humanos são sons produzidos única e exclusivamente pelo corpo humano, como vozes, tosse, risada, assobio. Não chegamos à uma conclusão. Partimos para uma segunda classificação: sons contínuos, sons repetitivos e sons únicos. Não houve tempo para discutir tal classificação.  Quanto à mim tive grande dificuldade em manter o silêncio (coisa de aluno!) e fiquei pensando nos meus alunos, que são uns tagarelas…. com certeza eles não estão nada prontos para este tipo de proposta. Eu sei que a idéia é boa, lógico! Perceber a riqueza e a variedade do nosso ambiente sonoro, perceber sons que já nem ouvimos no dia-a-dia. Eu acredito que minha dificuldade foi tamanha também pela falta de treino nesse silenciar, ouvir, perceber. É um caminho, um processo que não é automático, como um botão de liga-desliga, mas é sim um caminho a ser seguido, um caminho educativo. Acho válido investir nesse tipo de proposta para ampliar a capacidade de percepção (minha e de meus alunos), nossa sensibilidade aos sons, a esse diverso ambiente sonoro. Acho que o passo seguindo é tentar transformar / utilizar / considerar esses ruídos em música, como no “4’33” de John Cage , cuja definição de música é “música é sons”. Dessa maneira, todo som pode ser usado musicalmente, o que muda é a intenção.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: