Relato da Aula 07 – Metodologias 2º Geração

Atividades: Nesta aula fizemos um exercício prático baseado nas propostas de Murray Schafer.

Comentários: Lembro-me que quando li o livro “O Ouvido Pensante”  gostei particularmente da proposta que fizemos nesta aula. No livro ele relata que entra na sala de aula, entrega uma folha de papel em branco para os alunos, vai para a lousa e começa a escrever coisas sem sentido, desconectas. Ele observa que os alunos olham-se com ar de interrogação, mas começam a copiar. Passados alguns instantes, Schafer diz para a classe: “Quem lhes disse que era para copiar?” No texto ele comenta que quer mostrar aos alunos como somos todos condicionados a fazer certas coisas sem saber suas razões. E aí ele começa a criar sons com aqueles papéis e faz o que fizemos na aula: uma grande pesquisa de sons possíveis de serem obtidos com uma folha de papel e como consequência, uma composição coletiva. Eu acho muito interessante sermos todos convidados a percebermos a riqueza e a variedade do mundo sonoro em que estamos inseridos, mas acredito que para uma boa educação musical isso deva ser feito com muito critério e muito cuidado para que eu como professora não seja confundida com alguém que não sabe o que faz, porquê faz e que “mata” a aula fazendo “bagunça”. Enquanto realizávamos a proposta em um certo momento em que parecíamos estarmos mergulhados no completo caos, pensei: “nossa, se a diretora da escola das Irmãs entrasse na sala de aula numa hora dessas, como será que ela reagiria?” Acho que é preciso preparar as crianças abrindo suas mentes e sua consciência, e através delas, mostrar aos pais, aos outros professores e pedagogos da escola que trata-se de algo sério e importante. Infelizmente há mais adultos fechados para esse tipo de proposta do que abertos. É o famoso “paradigma” de que falávamos no semestre passado: “uma aula boa é uma aula sem caos, com crianças quietinhas e sentadas prestando atenção ao professor”. Comecei a trabalhar este ano no Colégio Salesiano e durante a aula teste uma de minhas proposta foi a escuta de ruídos. Eu levei vários e os “alunos” (no caso a coordenadora e a moça do RH) deveriam dizer do que se tratava e o reproduzir como conseguisse / quisessem.  Quando eu coloquei o som de uma descarga de privada elas olharam-se com cara de risadinha presa e não disseram do que se tratava. Um pouco depois uma delas disse: “água”. A outra ficou paralisada. Nesse instante de silêncio eu disse “digam realmente o que vocês estão pensando que é”. E uma delas criou coragem e disse “é uma privada”. Não vou mais me esquecer deste episódio. Não é incrível? Se fosse uma criança ela diria na hora H: privada! Como os adultos com suas educações “fechadas” não sabem como reagir diante do inusitado. Posso imaginar como elas reagiriam numa aula em que as crianças picassem, amassassem, jogassem papéis pela sala e dissessem tratar-se de Música! É um caminho e sou militante nele.

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