Relato da Aula 05 – Didática e Regência Coral

Atividades: Na primeira parte da aula a Mara contou-nos um pouco de sua experiência com um grupo de coral do Sesi – crianças de 8 a 10 anos aproximadamente – e que são obrigados a fazer esta aula. Trocamos algumas experiências. Reunimo-nos também em grupos e discutimos sobre os principais pontos dos textos lidos em casa e trocamos idéias com os outros grupos da classe. Em seguida, fizemos alguns exercícios de regência básica em roda (compasso binário, ternário ou quaternário) e na última parte da aula cantamos duas peças para repertório.

Comentários:  Realmente é muito complicado lidar com a “obrigatoridade” dos alunos em participar de nossas aulas de Música. Eu já tive mais essa dificuldade, porém à medida que adquiro experiência com esse tipo de situação, consigo driblar melhor.  Algumas pessoas coloram suas ideias sobre como resolver a questão, ou seja, o que pode motivar os alunos a “quererem” estar nas aulas.  Eu tenho contornado esse tipo de situação com vários recursos, como por exemplo, aplicar repertórios que venham de encontro “à cara” daquele grupo específico. Tenho uma turma de 4º ano que é terrível. São bagunceiros, inquietos, insatisfeitos por natureza. Para piorar, os meninos são a maioria e normalmente são os que menos gostam de cantar. Descobri uma compositora do Ceará (Elvira Drummond) que publicou um livro de partituras chamado “Cantigas Mal Criadas”. Tais cantigas falam de coisas da realidade das crianças sob sua ótica: como é chato comer legumes, como é chato arrumar o quarto, como é chato ter irmão pequeno, entre outros assuntos. Nossa! Depois que começamos a cantar esse tipo de música, eles mudaram completamente. Querem aprender mais e mais músicas. Cantam com entusiamos e vigor. Outro recurso que uso e que também funciona bem é o da “premiação”. Quem participar da aula como se “deve”, participa do jogo / brincadeira que faço ao final da aula. Infelizmente, transgrido alguns princípios pedagógicos que aprendi na faculdade, porém até como mãe percebo que há situações que devemos jogar “sujo”, colocando escolhas para as crianças quase que sem saída para elas. Enfim, em minha experiência tenho percebido que cada grupo é um grupo. Um 4º ano da escola A pode ser completamente diferente do 4º ano da escola B, ainda que eu seja a professora das duas turmas. Li em um livro chamado “O senso religioso” de Luigi Giussani que “o método é imposto pelo objeto”. Acho essa frase fabulosa e que se aplica no caso das aulas. Para que eles venham comigo, preciso chegar até eles primeiro. Sobre a discussão dos textos,  em meu grupo discutimos sobre o texto “A História da Regência Orquestral no Século XIX”. Esse texto tem um caráter realmente histórico sobre a regência e o papel estanque do regente.  Nos outros textos nota-se que o papel e a importância do regente está muito além descrito do que as funções de conduzir, guiar o grupo, mas sim dar o caráter interpretativo da obra, sua emoção, sua “cara” e que para isso, é ponto decisivo que haja uma comunicação efetiva entre o regente e o grupo. É verdade que paira uma certa arrogância por parte de alguns regentes que sentem-se verdadeiros deuses, é uma relação de poder sobre o grupo. Porém é importante que esse “poder” seja usado em benefício de todos, ou seja, ainda que o regente tenha uma idéia, com certeza ela será transformada no trabalho com o grupo. O importante é que o regente não seja um mero reprodutor da obra, mas que ele tenha a técnica e a imaginação, a inventividade.  Antes dessas poucas aulas com a Mara eu não tinha me dado conta da importância de uma regência bem feita à frente do grupo e por isso nunca fui atrás de aprender sua técnica e não sei reger.  No trabalho com meus alunos gosto que eles cantem “ao vivo”, então sempre eu toco  piano ou  violão. Dessa maneira, minhas mãos estão sempre ocupadas e ainda que quissesse, não poderia aplicar a regência como se deve. Tendo a oportunidade de aprender um pouco sobre a regência básica e sabendo de sua importância, estou incomodada porque não sei como vou resolver essa questão.  Não quero utilizar cd’s para a prática do canto,  cantar à capela também não seria viável, pois correríamos o risco maior de uma desafinação e além disso, eu acho que o resultado estético é mais “bonito”  quando as vozes cantam junto com algum instrumento, principalmente por tratar-se de canto em uníssono. Como a Mara disse, a questão é pedagócia, mas é artística também, existe uma espera, uma expectativa, uma realização musical. Ao final da aula criei coragem e fui à frente do grupo pela primeira vez como “regente”.  Nossa! me perdi totalmente.  Preciso estudar muito!

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