Relato da Aula 03 – Metodologia 2ª Geração

Atividades: Assitimos a um trecho do “Concerto Comentado” com Sergio Vila Franca e Koellreutter, realizado em dezembro de 1999 no Musei da Imagem e do Som, em seguida fizemos exercícios práticos com baquetas, clavas e xilofones.

Comentários: Muito interessante o trecho que assistimos. Aprendi uma palavra nova: Gestalt. Segundo Sergio Vila Franca é uma palavra alemã cuja tradução é complicada. Para ele a melhor tradução seria “configuração”. Mas de maneira geral, pode ser entendida na música tradicional como um motivo, um tema, uma frase. Na música contemporânea é um ideia musical. Ouvimos um trecho da pela “Música 1941”. Koellreutter explicou que essa música é atemática, mas contrariamente ao que se possa pensar, não é sem tema, esse prefixo “a” não quer dizer negação, mas ao contrário, é uma interligação, tem um sentido transcedental, forma um todo só.  Na música há uma espécie de diálogo entre as configurações, repetindo-se, transformando-se e renovando-se. Koellreutter disse “é como o mar, que é sempre água, mas as ondas transformam-se constantemente”.  Na segunda parte da aula fizemos uma rodada de improvisos com baquetas e clavas: na primeira proposta tínhamos de fazer um frase rítmica de 4 tempos (cada um criava uma idéia e o grupo a repetia). Em seguida a criação era sem métrica. Percebeu-se ao final das duas rodadas que quando tínhamos que seguir a métrica, as idéias foram desprovidas de expressão. Já na rodada sem métrica, a expressão veio à tona. Acredito, como a Enny comentou que isso deve-se principalmente à maneira como estudamos e aprendemos nossos instrumentos. No meu caso, senti-me descrita por ela: estudar a mão direita, depois a esquerda, juntá-las e só depois da leitura estar “limpa” pensava-se (e nem sempre!) no caráter expressivo da peça.  Não fui educada a criar algo. E muito menos de maneira  tão livre, até de métrica! Fizemos também uma rodada de “criação de gestalts” (Koellreutter definia a Gestalt como uma configuração de pontos, linhas e outros elementos que podem ser percebidos de imediato como um todo.As Gestalten são a unidade elementar de sua música) com xilofones. Foi muito interessante. Depois dois alunos fizeram um “jogo dialogal” entre os xilofones, conversando, silenciando, discutindo… Percebi que é mais prazeroso participar da conversa do que só ouvir. O importante é lembrar que as propostas de improvisação não devem ser um “valetudismo”, como o próprio Koellreutter dizia: “Não existe nada que deva ser mais preparado do que uma improvisação”.  Quando se inicia as propostas de improvisação é preciso delimitar o campo de atuação com regras mais fechadas e à medida que o educando vai adquirindo vocabulário da linguagem musical as regras podem ficar mais abertas. Adorei! Fiquei com vontade de “dalcrozear” músicas atonais, sem métrica, enfim…. Acho que seria muito interessantef “dalcrozear” Koellreutter.

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