Escola da Ponte: Quebra de Paradigmas

A escola da Ponte foi criada em 1976, pelo Professor José Francisco de Almeida Pacheco, está localizada, na cidade do Porto em Portugal, defende que é indispensável alterar a organização das escolas e questionar as práticas educativas tradicionais. Para ele, é urgente interferir humanamente no íntimo das comunidades humanas, questionar convicções e, fraternalmente, desassossegar os acomodados. Na Escola da Ponte as crianças decidem o que e com quem estudar. Em vez de tempo determinado para cada aula e turmas, há grupos de estudo, independente da idade, o que as une é a vontade de estar juntas e de juntas aprender. Novos grupos surgem a cada projeto ou tema de estudo, sempre formados pelos próprios alunos organizados entre si. E tudo que tem a ver com a escola é decidido pelas crianças nas Assembléias semanais, presididas por uma diretoria eleita pelas e entre as próprias crianças. Na escola, vive-se a democracia plenamente e aprende-se cidadania.  Além de aprender os conteúdos em seu próprio ritmo, as crianças são livres, têm direitos e deveres, todos decididos e registrados em conjunto. A Escola da Ponte na época era exatamente igual a todas as outras. Entre as mudanças, optou-se por destruir os ‘muros pedagógicos’ que eram as paredes, turmas e salas de aulas. Construiu-se um espaço aberto onde todos os professores estão disponíveis para todos os alunos, sem paredes a dividir um grupo de estudos do outro.

Pacheco explica que na Escola da Ponte, os alunos aprendem todo o conteúdo curricular ensinado na totalidade das escolas portuguesas. A diferença é que isso é feito respeitando-se o ritmo de aprendizagem de cada aluno. Não há turmas, nem aula expositiva do professor, também não há sala de aula e nem paredes para separar um grupo de alunos do outro. Os grupos são formados por afinidades e interesse de aprendizagem pelos próprios alunos. São os alunos que decidem o que e com quem estudar. E os professores estão lá, atentos e disponíveis para todos os alunos. Quando um aluno não consegue respostas para um determinado trabalho, escreve num papel Preciso de Ajuda e, aguarda até que um professor o procure. Mas antes de dar a resposta, o professor pergunta todos os passos dados até não conseguir as respostas que precisava para alcançar os objetivos do trabalho.

As dúvidas e perguntas sem resposta na pesquisa em fontes diversas e na interação com os colegas, poderão ser desvendadas no encontro do grupo com um professor – a chamada “aula direta”. Trata-se de um encontro do pequeno grupo com o professor, quando os alunos o solicitam.

Os professores só poderão dar respostas se os alunos lhes dirigirem perguntas. Só participa do encontro quem deseja e externa este desejo.

Pacheco acredita que qualquer escola pode fazer a mesma coisa. Para tanto, basta à equipe optar por alterar, transformar a prática, fundamentando teoricamente estas ações.
“Qualquer escola pode fazer o mesmo, ou até melhor, mas é importante que a equipe queira, porque é um trabalho que precisa ser coletivo, trata-se de construir um projeto de escola e cidade educativa”, explica. É, portanto, um trabalho de equipe que faz o professor superar o desgaste e ajuda a ultrapassar os obstáculos.  O simples fato de não estar sozinho numa sala, ter uma perspectiva de toda a escola e não só daquele grupo controlado por si, ajuda o professor a não encarar tudo com aquela frieza resultado da solidão vivenciada em sala única.

“Os professores da Escola da Ponte fazem tudo com mais vontade, dão mais de si, pois se sente parte de uma equipe, uma “família”. E em família, as pessoas sentem-se amadas e há a inter-ajuda”, completa.O projeto da Escola da Ponte é, de certo modo, um projeto eclético, por adotar contributos de diferentes origens, modelos, autores, correntes… É nossa convicção que um projeto só poderá encontrar sentido e sustentabilidade se for escorado numa permanente interrogação das suas práticas e escapar à vertigem de fundamentalismos pedagógicos. Todo o contributo que faça sentido no projeto é integrado, avaliado, transformado em função do contexto e seres-autores. Rejeitamos as teorias, propostas metodológicas, os modelos, as “modas”, por mais bem embrulhadas e recomendadas que cheguem até nós, se não fizerem sentido. É só isso: o quanto baste de sensibilidade e bom senso. Em 2003, o Ministério da Educação de Portugal encomendou a uma equipe da Universidade de Coimbra uma avaliação da Escola da Ponte. Entre outras conclusões extraídas do relatório de avaliação, ressalta um trabalho estatístico realizado com as notas de pauta atribuídas pelos professores, em cada trimestre dos últimos 20 anos. Isto é, foram comparados os resultados obtidos pelos ex-alunos da Escola da Ponte com as classificações obtidas pelos alunos oriundos de outras 20 escolas que a escola de 5ª série acolheu. Os avaliadores concluíram que os ex-alunos da Ponte obtiveram melhores resultados no currículo de 5ª série que os ex-alunos de outras escolas. Mas esta constatação – que para os governantes foi decisiva para o apoio que agora disponibilizam ao projeto – não tem para nós nenhum significado. A classificação não é o mais importante o importante é saber que as crianças estão se socializando cada vez mais.

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/22651/1/DIFERENTES-MODELOS-DE-ESCOLAS-NA-ATUALIDADE-ESCOLA-DA-PONTE-Portugal-E-SUMMERHILL-SCHOOL-Inglaterra/pagina1.html#ixzz1Pv3oPbYx

http://www.escoladaponte.com.pt/

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: