Texto “A importância da estrutura” por Jerome Bruner

– Qualquer ato de aprendizagem deverá de alguma maneira servir-nos no presente e valer-nos no futuro;

– A importância de se aprender, de início, não uma habilidade, mas uma ideia geral, a qual poderá depois servir de base para reconhecer problemas subsequentes;

– Quanto mais fundamental ou básica for a ideia que tenha aprendido, quase por definição, maior será a amplitude de sua aplicabilidade a novos problemas;

– O domínio das ideias fundamentais em dado campo implica não só captar os princípios gerais, mas também desenvolver uma atitude em relação à aprendizagem e à investigação, em relação ao modo de imaginar a solução, de ter intuições e palpites quanto à possibilidade de resolver, por si só, os problemas. Isso gera um sentimento de excitação pela descoberta, resultando em um sentimento de autoconfiança quanto às próprias capacidades;

– Como ajustar o conhecimento fundamental aos interesses e capacidades das crianças? tornar a matéria interessante não é, de modo algum imcompatível com a apresentá-la corretamente; de fato, uma explanação geral correta é, muitas vezes, a mais interessante de todas;

– Pontos importantes em favor do ensino interessante e adequado: 1) entender os fundamentos torna a matéria mais compreensível; 2) rapidamente se esquece um pormenor, a não se que esteja colocado dentro de um padrão estruturado;  3) compreender algo como exemplo específico de um caso mais geral – que é o que significa compreender um princípio ou estrutura mais fundamental – é ter aprendido não só alguma coisa específica, mas também um modelo para a compreensão de outras coisas semelhantes que se pode encontrar – a ideia de princípios e conceitos fundamentais como base para transferência; 4) a distância entre o conhecimento avançado e o conhecimento elementar pode ser reduzida graças ao relevo que dermos à estrutura do conhecimento;

– Fazer e compreender – logicamente, nada de decorar. Treino não precisa ser precisamente decorar, mas ele pode ser sim uma etapa necessária para a compreensão de ideias conceituais em matemática, por exemplo;

– O currículo de uma determinada matéria deve ser determinado pela compreensão mais fundamental que se possa atingir, a respeito dos princípios básicos que dão estrutura a essa matéria. Ensinar tópicos ou habilidades específicas, sem tornar claro seu contexto na estrutura fundamental mais ampla de um dado campo de conhecimento, torna excessivamente difícil ao aluno generalizar, a partir do que aprendeu, para o que vai encontrar depois, além de não gerar estímulo intelectual. O melhor meio de despertar interesse por um assunto é tornar valioso o seu conhecimento. Outro ponto importante é que um conhecimento adquirido sem suficiente estrutura a que se ligue, é um conhecimento fadado ao esquecimento. UM CONJUNTO DESCONEXO DE FATOS NÃO TEM SENÃO UMA VIDA EXTREMAMENTE CURTA EM NOSSA MEMÓRIA;

– A tarefa de ensinar determinada matéria a uma criança, em qualquer idade, é a de representar a estrutura da referida matéria em termos da visualização que a criança tem das coisas, poder ser encarada como um trabalho de tradução;

– Se se quiser que a criança capte as ideias básicas e fundamentais de um determinado assunto, devemos traduzi-las para a linguagem de suas estruturas interiores (levando em conta seu estágio de desenvolvimento atual). É ocioso tentar fazer a apresentação de explicações formais baseadas numa lógica muito distante da maneira de pensar da criança e vale lembrar que seu desenvolvimento intelectual não é uma sequência cronométrica de acontecimentos, o afetam também influências do ambiente. É pois possível traçar métodos para o ensino das ideias básicas, em ciência e matemática, a crianças em muito menor idade do que a tradicionalmente aceita. Na idade precoce a instrução sistemática poderá preparar o alicerce das coisas fundamentais, que poderão ser usadas mais tarde, e com grande proveito. Um professor hábil pode experimentar, tentando ensinar o que, intuitivamente, lhe parece correto para crianças de diferentes idades, corrigindo-se no correr do tempo. O perigo de tal treinamento precoce poderá ser o de que resulte em treinar ideias originais mas distorcidas ou errôneas;

– A possível abolição das séries ou de algumas disciplinas;

– O currículo em espiral: o mesmo conteúdo aprofundado cada vez mais;

– Podemos indagar, como critério para a avaliação de qualque matéria ensinada na escola primária, se, quando plenamente desenvolvido, será o conhecimento valioso para o adulto e se, têlo adquirido em criança, fará de alguém um adulto melhor. Se a resposta a ambas dessas questões for negativa ou ambígua, então essa matéria estará tumultuando o currículo.

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