Relato da Aula 14 – PSICO

Atividades: A Ruth levou-nos sugestões de livros para leitura / estudo: alguns sobre música e educação e alguns específicos da área da educação / ensino / aprendizagem. Em seguida, ela  fez uma  breve explanação das ideias centrais do educador Jerome Bruner com intervenções / relatos de experiências dos alunos.

Comentários: Infelizmente o tempo foi curto. Não foi possível fazer uma discussão mais aprofundada do texto lido em casa. Os pontos em evidência foram:

– Como preparar currículos que sejam aplicáveis e reflitam os princípios básicos ou fundamentais dos vários campos de investigação? Há um duplo problema: como reescrever as matérias básicas e refazer seus recursos de ensino e como combinar os níveis desses recursos de ensino com a potencialidade de estutantes com diferentes capacidades e em diferentes níveis escolares? (pensando mesmo em nível nacional).

– O currículo não deveria jamais ser algo fechado, enlatado, pronto. Deveria ser aberto, levar em conta a região dos estudantes, seu ambiente, sua história bem como suas necessidades, ou seja, um currículo que estivesse realmente voltado aos interesses do aluno. O currículo poderia ser baseado em diretrizes de conteúdos…

– O professor que quebra esse currículo e leva em conta os alunos e todo seu contexto, é um transgressor e será fatalmente perseguido. É uma questão política: ou estou para repetir o que já foi feito ou estou para transformar? Estou a fim de arcar com as consequências?

– As aulas precisam de ideias e atitudes penetrantes, que afetem os alunos, que os transforme.

– A ideia do currículo mínimo não deu certo. Cem anos após ainda não conseguimos um currículo mínimo que mergulhasse no campo do conhecimento.

– O que existe é o diverso. O currículo mínimo só tem interesse em controlar. O currículo nacional é uma atitude conservadora. Talvez desse mais resultado um currículo aberto.

– O professor tem que ser um intelectual: estudar, ir ao cinema, ouvir música, ler jornal!

– A solução estaria provavelmente em alguma modificação ou na abolição do sistema de graus / séries ou disciplinas? O sistema de graus / séries não está preocupado com o desenvolvimento das capacidades dos alunos, mas busca avaliar a excelência e o desempenho.

– Nosso currículo é conteudista. Ele não busca a essência, a ideia mais poderosa de cada campo de conhecimento. É volume de conteúdo. E ainda assim as crianças e jovens não estão a= prendendo a ler / escrever adequadamente.

– Para quem tinha esperança que com a lei 11.769 de agosto/2008 a música voltaria de fato às escolas brasileiras é melhor conformar-se que nada aconteceu ou está para acontecer, uma vez que esta mesma lei sequer exige que seja um professor habilitado em música para ministrar as aulas, ora…. o professor de Artes incluirá  algum assunto sobre música… talvez uma vez por mês….

– A importância de um currículo em espiral, o qual possibilita que qualquer ciência seja ensinada, pelo menos nas suas formas mais simples, a alunos de todas as idades, uma vez que os mesmos tópicos serão, posteriormente, retomados e aprofundados mais tarde, ou seja, o aluno vê o mesmo tópico em diferentes níveis de profundidade e modos de representação. “E não precisamos esperar que se obtenham todos os resultados das investigações para começarmos a agir, pois um professor hábil pode também experimentar, tentando ensinar o que, intuitivamente, lhe parece correto para crianças de diferentes idades, corrigindo-se no correr do tempo.” Um currículo deverá ser constituído em torno dos grandes temas, princípios e valores que uma sociedade considera merecedores da preocupação contínua de seus membros.”

– A Débora comentou que nos EUA as aulas de música estão presentes de fato no currículo nacional desde a tenra idade e que são formadas pequenas orquestras e pequenos corais cujos membros são os alunos! A pro Ruth disse nesse momento que “lá de fato as coisas estão bem resolvidas neste quesito”… o Anderson espirituosamente acrescentou: “aqui as coisas também estão resolvidas, não tem e pronto!” Nesta hora lembrei-me da frase da Cássia: “Penso, logo desisto” – Descartando….

– De tudo isso que foi discutido acho que voltamos sempre para o mesmo ponto: se as coisas estão como estão, não serei EU a consertar… porém EU posso e DEVO fazer a diferença na vida dos meus alunos, buscar de verdade ajudá-los, a olhá-los, aproveitar que em música não existe nem esse currículo mínimo e pensar um currículo aberto buscando atender seus interesses e necessidades…. às vezes eu sinto falta de um currículo no sentido de balizar meu trabalho… será que o que eu preparo realmente é legal e importante para meus alunos? vai ajudá-los em quê? por outro lado, acho positivo que não exista esse currículo… isso me dá liberdade e autonomia de trabalho sem perseguições, pois não estou transgredindo nada! O que lamento é que existem muitos, mas muitos profissionais professores de música que não se preocupam com seus alunos, dão aulas de qualquer jeito, sem nenhum preparo e justificam-se pela falta de currículo, pela falta de materiais didáticos e recursos pedagógicos e dessa maneira depreciam e denigrem a música, a matéria música, o que levam muitos pais, alunos e outros professores da escola a pensarem: “mas pra quê servem mesmo as aulas de música?” Ainda assim, penso que nem um currículo mínimo em música garantiria aos alunos uma aula minimamente adequada, acho que isso depende muito mais do professor do que do conteúdo pré-formatado. E quem quer encontrar, procura e encontra.

– Para finalizar, gostaria de mencionar outro ponto que achei importantíssimo no texto: “podemos indagar como critério para avaliação de qualquer matéria ensinada na escola se, quando plenamente desenvolvido, será o conhecimento valioso para o adulto e se, tê-lo adquirido em criança, fará de alguém um adulto melhor. Se a resposta a ambas dessas questões for negativa ou ambígua, então essa matéria estará tumultuando o currículo.” Refleti e em meu caso, só posso responder afirmativamente à segunda questão. Como sou professora de educação musical (o que é diferente de ser professor de música!) os conteúdos musicais propriamente ditos talvez jamais sejam valiosos para meus alunos quando adultos, porém, é muito provável que tenham ajudado a fazê-los crescer e tornarem-se adultos mais sensíveis, criativos e reflexivos e sem dúvida essas qualidades são válidas para a vida, a qualquer tempo. Lembrei-me do livro da Teca Alencar “Koellreutter Educador: o humano como objetivo da educação musical”. Lá ela conta-nos os grandes ensinamentos do mestre: a música na escola regular de ensino não quer formar músicos, ou seja, a música como meio, não como fim. Através das aulas de educação musical contribuir para a formação de seres humanos melhores, hoje e para a vida toda. “O humano, meus amigos, como objetivo da educação musical” H. J. Koellreutter.

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