Samba “Ciência e Arte”

http://www.youtube.com/watch?v=Wp85d4BubSI

“Tu és meu Brasil em toda parte
Quer na ciência ou na arte
Portentoso e altaneiro
Os homens que escreveram tua história
Conquistaram tuas glórias
Epopéias triunfais
Quero neste pobre enredo
Reviver glorificando os homens teus
Levá-los ao panteon dos grandes imortais
Pois merecem muito mais                                                                                                                                                                                                            Não querendo levá-los ao cume da altura
Cientistas tu tens e tens cultura
E neste rude poema destes pobres vates
Há sábios como Pedro Américo e César Lattes”

Glossário:

– Portentoso: maravilhoso, extraordinário, raro

– Altaneiro: elevado, orgulhoso

– Panteon: edifício consagrado à memória de homens ilustres, conjunto de homens ilustres e célebres

– Vate: poeta

Esta cançao “Ciência e Arte” foi composta a quatro mãos por Cartola e Carlos Cachaça e foi samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira no carnaval de 1947. A escola ficou em segundo lugar na avenida, perdendo para a Portela, mas esta música teve uma importante regravação em 1997 por Gilberto Gil no álbum “Quanta” e escapou do esquecimento.

Nesta canção o mestre Cartola busca colocar a ciência e a arte reconhecidamente importantes e em mesmo grau de igualdade, sem soberania de uma sobre a outra. Embora de campos diferentes, ambas sempre foram e continuam sendo fundamentais à vida das pessoas.

Quem são os homenageados desta música?

Pedro Américo (1843-1905) nasceu em uma família ligada às artes na cidade de Areia no Estado da Paraíba. Foi pintor, romancista e poeta brasileiro. Desde cedo recebeu estímulos de seu pai para o desenho e para a música. Em sua juventude estudou na Academia Imperial de Belas Artes onde conquistou medalhas e prêmios. Nesta época, obteve uma pensão do então imperador Dom Pedro II para ir aperfeiçoar-se na Europa. Realizou muitos trabalhos e consagrou-se com a obra “Independência ou Morte” (1888).  Faleceu em Florença, praticamente cego e empobrecido com a crise financeira nacional. A casa onde nasceu hoje é um musei dedicado à sua memória.

Cesar Lattes (1924-2005), físico brasileiro que ficou famoso na década de 40 por uma importante descoberta, a qual inscreveria seu nome na história da física mundial. Na ocasião da descoberta ele estava na Universidade de Bristol, na Inglaterra, cuja equipe de pesquisa era liderada por Cecil Powell. Lattes esteve próximo de ganhar o prêmio Nobel por duas vezes, mas não ganhou.  Teria dito, porém, em uma entrevista que o maior prêmio que poderia ter ganho não era o Nobel, mas ter sido homenageado neste samba-enredo. Em uma entrevista concedida à pesquisadora Ana Maria Ribeiro, publicada em O Estado de Minas, Cesar Lattes respondeu uma pergunta sobre as possibilidades de convivência entre ciência e arte: “É difícil. Camões pediu ajuda do engenho e da arte para escrever os Lusíadas, não da ciência. Que eu saiba, a arte embeleza a alma enquanto Pantagruel e Gargantua – em carta quando foi estudar na Sorbonne – disse que a Ciência sem consciência não é outra coisa que não a ruína da alma. Porém, todos os resultados científicos são provisórios. Já escrevi para o Gilberto Gil na apresentação do CD Quanta que a ciência é a irmã caçula da arte, talvez bastarda”.

Na ocasião da morte de Cartola, o jornalista e compositor Hermínio Bello de Carvalho afirmou: “Pra mim, Cartola foi tão grande quanto Carlos Drummond, Oscar Niemeyer, Candido Portinari ou Cesar Lattes”.

fontes: http://www.unicamp.br/siarq/lattes,  http://www.wikipedia.org e www.michaelis.uol.com.br

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