Pausa para uma reflexão…

Minha prática como Educadora Musical não é longa. Comecei a lecionar no início de 2009. No entanto, posso dizer que minha experiência como professora tem sido muito intensa – em vários sentidos : estou atuando em três escolas da rede regular de ensino e já trabalhei também em uma escola de ensino especializado em Música, como professora de piano. Além disso, terminei a Licenciatura em 2009 e fiz vários cursos ligados à área Musical. Ah! Também tenho gasto parte de meu salário com aquisições: livros e materiais didáticos.  Em meio a tudo isso também me tornei mãe, o que sem dúvida nenhuma  é um grande aprendizado na vida de uma mulher.  Sou apaixonada por música desde sempre, comecei meus estudos de piano aos onze e nunca mais parei. Só não fui professora antes por motivos de “paicracia”.  Embora sempre querendo meu bem, meu pai equivocou-se ao acreditar que “não se vive da música”, “música é hobby”e “trabalho é outra coisa”. Enfim… depois de uma feliz  carreira de quase doze anos como Auditora Financeiro  cá estou eu! Que bom! Estou muito feliz nesta nova etapa da minha vida por muitos motivos: estou “respirando” música diariamente, estou perto de muitas crianças (a melhor coisa da vida) e consigo ser uma mãe presente – minha prioridade máxima!

Nesta semana a professora Ruth propôs que fizéssemos uma reflexão sobre o curso que estamos fazendo. Pois bem. Posso dizer que muitas questões importantíssimas têm vindo à tona durante as aulas. Questões e dificuldades cujas soluções aparentemente são utópicas,  porém não do ponto de vista do que diz respeito a mim, ou seja, à minha prática como professora daquelas crianças, a minha responsabilidade sobre elas, o meu olhar para com elas, o meu carinho e a minha dedicação para com elas. Isso não é utopia.  Isso é um trabalho, um processo, um caminho a ser percorrido. Não é fácil. Tenho que estudar,  planejar, executar,  avaliar, experimentar, me arriscar… são tantos desafios!

Já pude perceber nestes 2,5 anos como professora que existem muitos “aventureiros” por aí dando aulas de Música…. alguns por tocarem um instrumento musical, outros por cantarem bem… e as Diretoras e Pedagogas das escolas não têm a menor idéia do que é possível fazer numa Aula de Música, que objetivos e metas podem ser traçados, que benefícios a Música pode trazer à vida das crianças.  Não basta conhecer ou dominar o  assunto que será ensinado,  o mais importante é ter a consciência de que se está lidando com pessoas. Na escola, a Música é o meio, não o fim, uma vez que não se trata do ensino especializado em  Música.  Essa questão é muito séria.

Desde que comecei a atuar como “Educadora Musical” tenho buscado aprender sempre mais e percebo que quanto mais aprendo, mais tenho a aprender… uma coisa puxa outra, que puxa outra, enfim… Procuro embasar minhas propostas em atividades essencialmente práticas e fundamentadas em Teorias e Experiências de grandes mestres, como por exemplo, os educadores dos Métodos Ativos.  Eu conheço bastante do meu assunto, tenho acompanhado o que tem de mais moderno no mercado, enfim, o desafio maior que se apresenta para mim é o saber  lidar adequadamente com essas vidas que me são confiadas.

A Pós-Graduação até o momento não “me contou nada de novo”, ou seja,  de uma maneira ou de outra já tinha lido,  estudado ou ouvido falar dessas coisas. Porém sou convidada a prestar atenção nessas questões sob uma nova perspectiva, uma nova consciência. E é isso que tem valido a pena. Voltei minha atenção primeiramente para mim mesma: que Educadora eu sou? Eu gostaria de uma professora como eu?  O que é bom nas minhas aulas e o que precisa mudar? melhorar? transformar? Eu tenho plena consciência das minhas propostas e atitudes? ou sou influenciada pelo meio? Como trato meu aluno? Eu tenho tempo e interesse para ouvi-lo? Eu sou flexível? Eu conheço o processo cognitivo da aprendizagem? O que eu preciso estudar mais?

Outro aspecto do cotidiano escolar são os problemas que estão aí para quem quiser ver.  Quem trabalha na escola pública fala, dentre outras coisas,  das salas lotadas e da falta de condições adequadas para se trabalhar.  Da escola privada posso falar dos alunos de pais separados, das crianças sem limites  acostumadas a serem atendidas a todo o custo, das diretoras que consideram seus alunos como “cifras” e pedem de maneira indireta para que acobertemos qualquer desvio para não encarar seus pais e correr o risco de diminuir o faturamento no final do mês.   Os problemas são grandes e complexos . Então o que fazer?  De minha parte,  quero fazer a diferença na vida dos meus alunos, quero que eles aprendam a amar (e se não for possível, apenas gostar) da Música, que eles possam vencer seus medos, ultrapassar seus limites, enfim, quero contribuir para que tornem-se pessoas melhores. Para minhas colegas professoras quero mostrar que a aula de música também poderá ajudá-las de alguma maneira nas aulas de outras matérias e para a diretora da escola quero mostrar que uma Aula de Música bem dada vai muito além do que ela pode imaginar.

É possível que alguém mais experiente e vivido do que eu ao ler meu texto pense que minha gana é passageira . Eu acho que não. Penso na minha filha! O que será dela se não encontrar professores interessados na sua vida?

Enfim… estou gostando muito do curso  por me provocar acerca dessas questões e também porque já conheci pessoas novas e vou  conhecer coisas novas! Vamos lá!

Uma resposta para Pausa para uma reflexão…

  1. Ruth disse:

    Prezada Rosângela, seu texto revela aquela gana de que falávamos em aula outro dia. Coisa rara. Muito rara, infelizmente. Mas que bom conhecer gente que tem essa inquietude, que tem o sentido da busca como referência de vida, que tem amor pelo que faz!
    Só posso desejar que seja muito bem sucedida em sua nova carreira!
    beijinhos

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